Alguém que me ensinou a me orgulhar de quem sou

Descobri o canal Tá Querida em uma madrugada qualquer e fiquei mais de uma hora assistindo. A Luiza Junqueira, dona do canal, me chamou atenção desde os primeiros vídeos que assisti: na versão com o cabelo amarelo gritante, aparentando uma confiança extrema e usando roupas que achei super bonitas. Acima de tudo,  pela coragem. Coragem de se despir e, livre de preconceitos em relação ao próprio corpo, fazer uma tour por ele. Mostrando todas as imperfeições, marcas, estrias, celulites, dobras, gorduras… tudo que sai dos padrões e, nem por isso, a deixa menos bonita.

Luiza é uma mulher gorda. E é assim mesmo, sem procurar sinônimos para a palavra “gorda”, que ela se refere a si mesma. Eu tive uma infância e grande parte da adolescência conturbadas, porque também fui gorda. Cheguei a ouvir músicas da elefanta Bila Bilu e gente me dizendo que eu deveria ser bulímica (ainda bem que ignorei os conselhos) para perder uns quilos. Emagreci, sim, me tornando tão diferente fisicamente que mal me reconheço há uns anos atrás. Mas hoje eu entendo que a aceitação do meu corpo precisa ir além dos quilos que a balança aponta. E precisa ser trabalhada, por mim, diariamente, independentemente dos padrões que me são impostos ou do fato de eu não conseguir me encaixar em nenhum deles. É por tudo isso que foi revigorante ver uma mulher forte, satisfeita e cheia de amor pelo próprio corpo, revelando-o exatamente da forma que ele é.

O canal da Luiza vai além das conversas sobre a aparência. Ela ensina receitas rápidas, apresenta sua própria casa e, em conversas com outras mulheres, fala a respeito dos diversos preconceitos e machismos que enfrentou ao longo da vida, simplesmente por ser mulher. Luiza também apresenta seu namorado e um pouco do cotidiano dos dois; ensina a fazer uma saia de tule; mostra suas inúmeras tatuagens e explica o significado de cada uma delas, entre diversos outros vídeos divertidos.

Por fim, deixo aqui um curta dirigido por ela. Nele, três mulheres gordas contam as suas histórias, as suas relações com os seus físicos, os preconceitos que enfrentam diariamente e todas as suas inseguranças por não estarem dentro dos padrões de beleza atuais. Ver tantas pessoas em seus processos de autoaceitação e, além disso, ajudando aqueles que as escutam, me encheu de coragem para continuar o meu. Com os seus vídeos, Luiza me ensina que esse é um caminho longo e árduo mas que vale a nossa insistência. Afinal, nos amar, bem da forma que somos, é uma experiência única.