Da porta pra fora
Aprendi a não me calar

Por muito tempo eu preferi me calar quando alguma situação me incomodava. Mesmo nas minhas relações de amizade, amorosas ou familiares. Eu simplesmente ficava quieta pra evitar que um atrito maior surgisse. Pra ser sincera, ainda me calo muitas vezes. Mas esses últimos meses  me fizeram sentir na pele a importância da honestidade – tanto comigo mesma, quanto com os outros.

Ainda que dizer o que eu verdadeiramente penso tenha trazido à tona comentários como: “você não entende nada da vida” ou “você é nova demais pra opinar sobre isso”, eu me senti realmente satisfeita por expressar meus valores e minhas ideias. Por ter conseguido argumentar a favor do que eu pensava e discordar abertamente de um familiar, mesmo sabendo que essa atitude traria um certo desconforto. Esse incômodo não foi maior do que não dizer nada e me sentir sufocada com as palavras presas.

Outras situações fizeram com que eu manifestasse o que realmente sentia, admitisse o meu ciúme (apesar de não gostar de senti-lo, ele existe e às vezes precisa ser exposto) e procurasse entender o que acontecia e lidar com tudo da melhor forma possível. Eu precisei mesmo dizer. Falar claramente sobre o que me incomodava pra que, assim, a outra pessoa envolvida pudesse repensar suas próprias atitudes e pudéssemos atingir um consenso.

É claro que às vezes seria mesmo melhor ficar calada, porque com certas pessoas sequer vale discutir. Quando alguém está completamente fechado para a argumentação e não se permite abrir-se sequer para ouvir, prefiro mesmo ficar no meu canto, sem me expressar. Mas quando sinto que minha opinião será ao menos considerada, ou que é extremamente importante pra mim me impor quando uma situação me incomoda de maneira extrema, prefiro dizer.

Ainda que discordem de mim. O ponto não é esse. Hoje eu entendo que às vezes preciso simplesmente me abrir, preciso expurgar sentimentos e opiniões pra que elas não causem um desconforto duradouro em determinadas relações. Um desconforto que só cresce, conforme mais momentos de silêncio se multiplicam quando a boca implora pelas palavras.

Então, esse é o melhor conselho que posso te dar hoje. Quando você se sentir muito incomodado com alguém e esses pensamentos passarem a fazer parte do seu dia, sem que você consiga superá-los… diga. Tente conversar. Fale sobre o que sente, exponha suas opiniões. Uma simples conversa será capaz de te trazer um alívio imenso e fazer com que, quem sabe, esses pensamentos insistentes não te incomodem mais.