Você na Textos Cruéis
eu não sou inquebrável

eu não sou inquebrável.

eu gostaria que você tivesse percebido isso ao me invadir com suas palavras e todas essas letras que passaram pela minha garganta com um sabor de depressão.

toda a dor serpenteia meu corpo e eu vivo como uma bomba atômica preste a explodir a cada vez que suas palavras me rasgam.

a vida é tão dura e você quer que eu note isso, não é?
duro é sentir a ponta da faca dentro de mim quando nem se existe algo concreto.
duro é ser o lado negro de uma existência sem rumo.

eu não sou inquebrável.

eu gostaria que você tivesse percebido isso antes da tarde da segunda feira; da noite do domingo ou do amanhecer da sexta.
eu rasguei todos os meus livros e picotei cada pedaço de página como se fosse a minha própria vida,
eu pisei em mim mesma e quebrei minha existência como um espelho velho sem brilho.
eu sou a própria tristeza disfarçada de brooklyn baby e eu espero que você me ame, amor
porque eu não sei fazer isso por mim mesma.

mas eu não sou inquebrável,
e eu me mato toda vez que eu perco meu eu próprio pelo mar de tristezas. eu nado na correnteza ruim, torcendo pra ter sorte nesse jogo de dois que é a vida.

one tree hill diz que a pior morte da vida é aquela enquanto nos vivemos.
você já se perguntou quantas vezes você morreu ao tentar permanecer na escuridão?

eu não sou inquebrável.

eu queria ser inquebrável,
mas eu sou h u m a n a
e essa deve ser a pior dor que existe:
aquela em que seu corpo morre antes de sentir a vida.

(Maria Eduarda Vieira)